Outubro 8, 2008

Notas

  • Está para sair o site em memória do finado Clube Sírio & Libanês.
  • A candidata Leila do Flamengo não foi reeleita para o Legislativo municipal — e, não, eu não votei nela também. Será o fim das festas de Ano Novo no Aterro com atrações não-ortodoxas, para não dizer IMPOPULARES?
  • A febre imobiliária no bairro de Botafogo já dá seus primeiros sinais: o tráfego na rua Voluntários de Pátria se tornou impossível também em horários incomuns.

Outubro 4, 2008

Cine Paissandu

Depois da comoção causada pelo fechamento do Cine Paissandu e pelo medo de que o espaço, importante cenário cultural carioca desde os anos 1960, fosse transformado em mais uma igreja, eis que surge um alento:

Caros Amigos,

É com grande prazer que comunico que, apesar da votação do Projeto de Lei nº 1831/2008, de minha autoria, preservando o uso do Cine Paissandu como cinema, não ter acontecido, solicitei ao Prefeito Cesar Maia que, sensibilizado com a nossa luta, respaldada por mais de 5.000 assinaturas, decretou como Patrimônio Cultural Carioca o Cine Paissandu.

A vitória é de todos!

Não é meu objetivo tentar qualquer tipo de evangelização política (até porque recrimino qualquer atitude do gênero), mas vale dizer que o tombamento foi conseguido em colaboração da vereadora Leila (do Flamengo) com as mais de 5.000 pessoas que compareceram ao cinema em seu último fim de semana para assinar uma lista de protesto. Como nós sempre criticamos quando os políticos fazem tudo errado, acho que é justo e coerente comentar quando algo é feito de forma correta…

(Em tempo: o antigo cine Largo do Machado, na Galeria Condor, também poderá renascer, depois que uma sentença judicial determinou a saída da igreja que o havia substituído)

Julho 8, 2008

Ah, minha Baixa Zona Sul!

Pois então, movimento: nosso saudoso Sírio-Libanês agora está vivo somente mesmo em nossas memórias. As últimas partes já foram demolidas, incluindo a piscina, espaço de festa em tantos carnavais. Em uma velocidade recorde, que nós faz questionar quem tem comprado tantos apartamentos em Botafogo, o novo condomínio já fechou seu período de vendas e colocou seus pedreiros para trabalhar. As lembranças, uma a uma, vão nos deixando para dar lugar a residências e mais residências.

(Em tempo: o condomínio de prédios a substituir a Casa de Saúde Dr. Eiras também já esgotou suas vendas.)

Fevereiro 8, 2008

Lugares que se foram (e seus substitutos)

Em lista, para facilitar a visualização:

  • A Felippa, no Flamengo (Mundo Verde?);
  • A padaria Hermitage, na Clarice Índio do Brasil;
  • A doceria Tacho, na Senador Vergueiro e na Muniz Barreto (a primeira trocou de nome e virou Paradinha, enquanto a segunda virou igreja protestante);
  • A Suprema da Paissandu;
  • O armarinho nas imediações das Lojas Americanas, em Laranjeiras;
  • O cine Largo do Machado, na Galeria Condor;
  • O supermercado Paes Mendonça do Largo do Machado (Sendas?);
  • O cinema São Luiz (esta bizarrice em que se transformou não tem um quinto do charme);
  • A Casa Mattos, também no Largo do Machado;
  • A Casa Cruz da Rua do Catete;
  • O colégio Andrews da Praia de Botafogo (Colégio pH);
  • O McDonald’s da Praia de Botafogo (Drogaria Pacheco);
  • O cine Ópera, na mesma Praia (Casa & Vídeo);
  • O cine Coral, idem (Unibanco Arteplex);
  • Os supermercados Big, na Praça São Salvador, na Senador Vergueiro e na rua Bambina (Zona Sul);
  • A padaria Senador;
  • O banco Econômico da Praça José de Alencar (hoje um Devassa);
  • Clube Sírio & Libanês (em breve, um edifício);
  • Casa de Saúde Doutor Eiras (condomínio Les Palais);
  • Museu do Telephone (Oi Futuro);
  • A concessionária Wilsonking (edifício);
  • O restaurante de Maria Theresa Weiss em Botafogo (Restaurante À Mineira?);
  • A antiga padaria da rua Bambina (estacionamento);
  • O antigo colégio São Pedro de Alcântara da Marquês de Olinda (condomínio Varandas de Olinda);
  • O São Pedro de Alcântara da Bambina (Escola Dínamis);
  • A filial do Dínamis na Marquês de Olinda (escritório comercial);
  • A academia Fisilabor da Visconde de Ouro Preto (extinta);
  • A Sears (Botafogo Praia Shopping).

Provavelmente não termina por aí, mas minha memória de fim dos anos 1980 não me deixa lembrar de mais nada por enquanto. Aceito sugestões.

Fevereiro 8, 2008

Síria e Líbano: novamente separados

Qualquer um que entenda ligeiramente de conflitos do Oriente Médio sabe que Síria e Líbano, os Estados independentes, jamais se bicaram. Sem exposição tão óbvia quanto a oferecida às disputas entre árabes e israelenses, têm como principal motivação para o mútuo estranhamento as reincidentes intervenções sírias nos conflitos libaneses — inauguradas, cada qual, sob o suposto propósito de apaziguar o balanço de forças da região.

No Brasil em que, com o perdão do clichê, turcos, árabes e judeus souberam se misturar desde sua chegada, porém, os vizinhos hostis aprenderam a apertar as mãos. Com empreendimentos diversos, no varejo, na alimentação e mesmo no ramo hospitalar, construíram vínculos antes impensados. E, nesse mesmo espírito, uniram suas comunidades em prestigiados clubes locais, dentre os quais o Sírio-Libanês da Marquês de Olinda, vedete de certos carnavais.

Se não viveu parte dos tempos áureos, com festas e confraternizações, esta mesma que vos escreve tem uma foto tirada nas escadarias do clube ao lado de Angélica, então apresentadora da Manchete, que não a deixa negar o passado curioso. Recorda também, de lembrança e de ouvido, histórias de célebres massagistas, partidas de futebol e de basquete que terminaram pior do que a encomenda e contos extravagantes envolvendo o restaurante do Califa.

Entre concursos de dança, aniversários e bailes, o Sírio sobrevivia da camaradagem do bairro, servindo de cenário para brincadeiras, brigas e amizades que duravam até a ressaca seguinte. Diante do amadorismo administrativo e da própria perda de popularidade dos clubes de classe média em meados da década de 1990, foi abandonado à própria sorte e decaindo em seu charme. O cheiro de cloro que trazia à rua ficou solitário, desacompanhado do suor dos garotos e da cerveja dos mais velhos. Ninguém mais comia o famoso “misto sírio” e a maior parte só aparecia em churrascos de recordação ou em eventos externos (ensaios de escola de samba inclusos).

Em algum momento de 2005 ou de 2006, a notícia que todos esperavam enfim se confirmou: os sírios e os libaneses de Botafogo tornariam sua união inacreditável um mero causo regional. Cobertos de dívidas, cederam o terreno em troca da garantia de uma sede na Zona Oeste e da transferência de alguns sócios para o Fluminense Football Club. Conforme o início da demolição hoje me permitiu ver, em poucos meses teremos um novo edifício em seu lugar, com seus alardeados apartamentos de três quartos e suas inevitáveis áreas de lazer. Mais um desses fantasmas, milagres de construtores. Mais uma marcação em concreto do fim da nossa inocência.

 

Em tempo: o filme argentino “Luna de Avellaneda” tem diversos pontos de semelhança com esta narrativa nostálgica.

Fevereiro 8, 2008

Edifícios imponentes do Flamengo

As histórias contadas a seguir também inspiraram este blog e foram retiradas de matéria especial da Revista Piauí  sobre a evolução da arquitetura do Rio de Janeiro (novembro/2007). Os autores são Danuza Leão (DL) e Fernando Serapião (FS).

 

Seabra

O primeiro edifício de apartamentos do Rio (e do Brasil) data de 1910. Feitos de olho no aluguel da população de baixa renda, os edifícios de moradia logo caíram no gosto da elite, por influência da ponte marítima Rio-Paris. Na capital francesa, os prédios de apartamentos de luxo existem desde o século XIX. No Rio, havia ainda outro incentivo para os edifícios residenciais, que apareceram primeiro no centro. Além do aspecto da modernidade – os anúncios da época destacavam, por exemplo, o elevador, o “frigidair” e o “telephonio” –, havia a questão higiênica. Morar à beira-mar, com condições de sol e vento favoráveis, era bem visto.

Finalizado antes da metade da década de 30, o Seabra já tinha incinerador de lixo. No projeto, com quatro apartamentos por andar, também já aparece uma área de circulação principal independente da área de serviço, característica do apartamento brasileiro até hoje, apesar das leis contra a discriminação no uso dos elevadores.

Na fachada e no saguão principal, o Seabra é típico da arquitetura eclética, o estilo que rompeu com a ortodoxia do modelo clássico e embaralhou ordens de proporção, ornamentos e composições bem definidas. O ecletismo apareceu na metade do século XVIII, quando o excêntrico Horace Walpole criou uma salada estilística no projeto da residência de seu pai, o primeiro-ministro da Inglaterra Robert Walpole. Depois dele, principalmente no século XIX, o estilo percorreu o mundo ocidental e deu asas à imaginação de projetistas e clientes “criativos”. Desenhado por Mario Votret, o Seabra possui, predominantemente, elementos toscanos. Mas se podem observar outras influências, como a semelhança com os edifícios de Louis Sullivan, principal arquiteto da escola de Chicago, que difundiu a idéia do arranha-céu. Há ainda outra curiosidade: as venezianas são do tipo “Copacabana”, popularizadas na verticalização do bairro. Ou seja, é um verdadeiro “samba do crioulo doido”. FS 


Quando o chique era morar no Flamengo, o comendador português Gervásio Seabra trouxe da Itália um arquiteto para fazer o projeto do que seria o segundo edifício construído na Praia do Flamengo, cópia de um castelo da Toscana pelo qual ele se apaixonara. O arquiteto usou (e abusou) de sua imaginação, e o prédio ficou conhecido como o Dakota carioca, em oposição ao prédio nova-iorquino onde John Lennon tinha um apartamento.

A portaria pode ser descrita como psicodélica. As paredes são todas pintadas com motivos os mais diversos, o chão é de mármore – importado, claro –, fazendo desenhos, diferentes uns dos outros, as paredes são feitas com óleo de baleia, e um imenso lustre de ferro coroa a obra. Por fora, o prédio é cinza-escuro, quase preto.

O comendador e sua esposa, dona Assunta, moravam nos três últimos andares, de 800 metros quadrados cada, e tinham sua portaria particular, onde um elevador privativo os levava ao lar. Dona Assunta gostava de freqüentar os cassinos do Rio; quando entrava, dizia-se que, se as luzes se apagassem, suas jóias eram tantas, de tal porte, e brilhavam tanto, que iluminariam todo o salão.

Os dois filhos do casal, Nelson e Roberto, eram doidos por corridas de cavalos. Dessa paixão surgiu o Stud Seabra; era deles a égua Tirolesa, ganhadora do Grande Prêmio Brasil de 1950. As selas de seus cavalos e as camisas dos jóqueis vinham todas de Paris, da Maison Hermès.

Outra das paixões de Nelson era participar de leilões e comprar antiguidades. Uma das catorze salas do apartamento tinha prateleiras em todas as paredes para abrigar apenas objetos de prata – insólitos, por sinal. Eram apenas 452.

Durante anos, Nelson morou em Paris, no Hotel George V, mas passava o mês de julho no Rio, para cuidar dos negócios. Era assim: quando ele ia para Paris, uma empresa de mudanças embalava todos os quadros e objetos de arte, e levava para o guarda-móveis; dez dias antes de ele chegar, tudo era recolocado nos seus lugares, através de fotos de cada canto do apartamento. Simples, não? DL

 

Biarritz

O Rio de Janeiro é influenciado pela arquitetura francesa há quase 200 anos. Houve a missão francesa, depois o modernismo de Le Corbusier e, agora, a nova missão, com Christian de Portzamparc (Cidade da Música), Phillippe Starck (Hotel Fasano) e Jean Nouvel (com o naufragado Guggenheim). Menos conhecidos, são os outros arquitetos franceses que aqui trabalharam na primeira metade do século XX, como Joseph Gire, do Copacabana Palace, especializado no neoclássico francês, e Henri Sajous, que criou prédios art déco. É de Sajous, autor também do edifício da Mesbla e da Igreja da Santíssima Trindade, na rua Senador Vergueiro, um dos décos mais significativos da cidade, o Biarritz.

O edifício no número 268 da praia do Flamengo é do início dos anos 40 e tem duas confortáveis unidades de quatro dormitórios por andar, com pequena diferença de tamanho entre elas. Das cinco varandas por piso que marcam a fachada, o apartamento mais perto do centro possui três módulos e o mais perto de Botafogo, dois. As duas unidades são ótimas: confortáveis e com acabamentos impecáveis para a época.

Por fora, o destaque da fachada são os graciosos balcões arredondados, com dupla curvatura, detalhes frisados na massa e gradil artístico equilibrado. A delicadeza dessa solução contrasta com a rigidez da estrutura, que forma uma grelha na fachada. Isso, somado aos toldos, dá uma forte expressividade ao volume, difícil de atingir em construções de meio de quadra. A cobertura que possui vibrantes volumes arredondados é escalonada, conforme a legislação da época. FS 

O arquiteto francês que construiu o Biarritz não teve muito trabalho na concepção: fez o prédio exatamente igual a outro que existe até hoje na avenida Montaigne, em Paris.

Um dos moradores mais ilustres do prédio foi Percival Farquhar, que ocupou a cobertura até 1952 (na minissérie Mad Maria, foi o vilão encarnado por Tony Ramos). Farquhar, que já nasceu milionário, tornou-se um dos maiores empresários do mundo. Começou em 1898, arrematando os bondes de Havana. Em 1912, encarnava a globalização da belle-époque latino-americana. Em dinheiro de hoje, o investimento das empresas que criou na região chegava a vários bilhões de dólares. Fez maus negócios no Sul e na Amazônia, mas faliu, em 1913, porque exagerou na especulação com o papelório.

O Biarritz sempre foi calmo, até porque seus moradores não se mudam com freqüência. A única pessoa que fazia o Biarritz ferver era Harry Stone, o poderoso representante da Motion Pictures no Brasil, mais conhecido como o embaixador de Hollywood no Brasil. A cada estrela que ele convidava para conhecer o Rio, o edifício estremecia (e os cineastas brasileiros o odiavam).

O Biarritz tem um belo jardim interno e, como o apartamento de Harry Stone era térreo, dava a impressão de que todo aquele verde pertencia só a ele. A nova proprietária do apartamento é Lourdes Catão, que, depois de viver trinta anos em Nova York, voltou, e só moraria em um apartamento assim: cheio de charme e totalmente silencioso, o que é raro de encontrar no Rio de hoje. DL

 

Guinle

As construções realizadas pelos Guinle já renderam até um mestrado em arquitetura, na PUC do Rio, defendido por Roberto Cattan. Entre os edifícios residenciais construídos por integrantes da família, destacam-se os edifícios ecléticos da orla do Flamengo. Um deles, localizado no número 116, foi idealizado pelo doutor Octavio e desenhado, em 1923,
pelo mesmo arquiteto do Copacabana Palace, Joseph Gire. De estilo parisiense, os empregados de cada um dos enormes apartamentos de cinco quartos – num dos quais morou o poeta João Cabral de Melo Neto – ficavam na mansarda. Outro menos conhecido é o localizado na esquina da rua Tucumã, feito quinze anos mais tarde. O prédio foi construído, em 1941, como resultado de uma operação imobiliária idealizada pelo doutor Carlos, que trocou a casa da praia de Botafogo pelo terreno e pela construção do prédio.

O edifício tem feições predominantemente protomodernas, como a curvatura do balcão da esquina. Há ainda uma mescla com elementos clássicos simplificados, como a colunata do porte-cocherè da entrada, ou as aberturas em arcos do último piso, que mais parece um jardim suspenso. A cobertura era o único apartamento que tinha garagem, e contava com onze quartos de empregados (era um tempo em que os ricos tinham poucos carros e muitos serviçais). Dentro, há uma escada que circunda um vazio, que é talvez o mais impressionante espaço interno de edifícios de apartamentos da época. FS

Nos anos 20, a família Guinle era uma das mais ricas do Brasil. Sua fortuna, em valores de hoje, era estimada em 2 bilhões de dólares. Foi Carlos Guinle quem construiu o belíssimo edifício na esquina da rua Tucumã. Deu um apartamento para cada um de seus dois filhos, Carlinhos e Jorginho, o playboy mais famoso do Brasil, e ficou, como de praxe, com os três últimos andares para ele e dona Gilda. Também, como de praxe, tinham seu elevador particular.

As casas onde os Guinle moravam eram todas projetadas por arquitetos franceses, e que casas! Era de um dos irmãos o Palácio Laranjeiras, de outro a antiga embaixada da Argentina, na praia de Botafogo, a casa onde é hoje o Parque da Cidade, a Ilha de Brocoió. O doutor Octavio morava na avenida Atlântica, e sua casa tinha uma quadra de tênis de frente para o mar. Eram famosos os bailes que doutor Carlos e dona Gilda davam uma vez por ano, nos quais o traje exigido para os homens era a casaca.

Carlinhos morreu moço. Nos últimos anos de vida, ficou amigo de Dorival Caymmi, e com ele compôs Sábado em Copacabana e Não tem Solução. As más línguas da época diziam que Caymmi entrava com a inspiração e Carlinhos com o uísque.

Quando o triplex do doutor Carlos foi posto à venda – muito discretamente –, um banqueiro telefonou para Jorginho querendo comprá-lo. Jorginho disse que já tinha fechado o negócio, apesar de a escritura ainda não estar assinada. O banqueiro, bem informado, sabia não só que o comprador era José Carlos Fragoso Pires, mas também que o valor da venda era 1 milhão de dólares, uma pechincha. Fingindo que não sabia, ofereceu o dobro, fosse qual fosse o preço combinado. Jorginho respondeu que, como já tinha dado sua palavra, não podia voltar atrás.

Sem nunca ter trabalhado um só dia de sua vida, Jorginho morreu pobre. No entanto, segundo dizia, nunca se arrependeu por um só segundo da vida que levou. DL

Fevereiro 7, 2008

E Copacabana?

Roberta, amiga moradora de Copacabana, defende a entrada do bairro na definição de “Baixa Zona Sul”. Tenho dúvidas, porém, graças à Avenida Atlântica. Claro que a prostituição, a criminalidade e o fechamento de grandes estabelecimentos comerciais fazem a região caminhar para a decadência. Óbvio também que a potencial substituição do Copacabana Palace pelo Hotel Fasano no posto de hospedaria mais cobiçada na cidade colabora. Ainda assim, tenho minhas dúvidas se o pessoal do Chopin saberia conviver com a definição…

Seja como for, em memória desse espaço democrático de nossa cidade, proponho que o hino da campanha seja “Galeria do Amor”, composição de Agnaldo Timóteo que presta homenagem ao amor plural na célebre Galeria Alaska:

Fevereiro 7, 2008

Baixa Zona Sul: significado

Expressão cunhada em oposição a “Alta Zona Sul” ou “Zona Sul Nobre”. Termo utilizado para agregar os bairros de Botafogo, do Flamengo, do Humaitá, do Largo do Machado, do Catete, de Laranjeiras e do Cosme Velho. Referência irônica à suposta qualidade inferior das cercanias. Resposta bem-humorada às síndromes de elitismo e de estrelismo que impregnam o comportamento da “alta sociedade carioca”. Etiqueta atribuída sem qualquer objetivo de se sobrepor a outros bairros e regiões do Rio. Vocábulo que designa movimento democrático, que apadrinha outras contestações à discriminação que emana de reduzida área da cidade do Rio de Janeiro.

Fevereiro 7, 2008

Baixa Zona Sul, o blog

A idéia de um blog que respondesse de forma bem-humorada às provocações dos moradores das “áreas nobres” do Rio de Janeiro vem sendo gestada por mim há pelo menos um ano. Foi a constatação, porém, de que não era paranóia a sensação de discriminação com a qual eu me defrontava que tornou este projeto uma realidade. Conversando com amigos que residem (ou residiam) na região, confirmei que todos sofreram, em algum momento, com os narizes tortos daqueles que consideram nossos bairros sujos, decadentes e permeados de mau gosto — há casos mesmo de casais que evitavam marcar encontros por esses cantos para impedir demonstrações de nojo de uma das partes.

Para aplacar de vez esse absurdo, pretendo fazer deste um veículo para ressaltarmos as qualidades de Botafogo, do Flamengo, do Humaitá, do Catete, do Cosme Velho e de Laranjeiras. Fotos antigas, histórias de infância, points de ontem e de hoje, causos sobre comerciantes: está tudo valendo. Denunciem as obras de “revitalização” que estejam apagando as memórias de suas ruas e substituindo-as por blocos de concreto. Indiquem aqueles lugares “que só vocês conhecem” onde podemos “comer uma incrível picanha”, “tomar um tacacá”, “provar um suco diferente”. Lembrem os blocos de carnaval, as brincadeiras, os passeios diários. Façamos, enfim, de nossa “Baixa Zona Sul” um recanto nobilíssimo em nossos corações.